Amor

Quero-vos contar uma história. Deixem-me contar esta história…
Era uma vez um menino chamado Luís. Ele não sabia bem ainda o que queria ser quando fosse grande. Na verdade, só o soube muito mais tarde. O Luís gostava de brincar, de ver desenhos animados, de olhar para o céu e imaginar o que lá havia. Resumindo, o Luís era uma criança como as outras, não se preocupava com muita coisa. Mas o Luís, além de tudo isto que gostava de fazer, era um menino que esperava ansiosamente cada fim-de-semana, não apenas para poder dormir mais ou para poder estar mais em casa para brincar com os pais, os irmãos, os brinquedos, os cães, os gatos… Ele adorava chegar ao fim-de-semana e ouvir o pai dizer: “Vamos lá?”. Estas palavras soavam como quando alguém nos pergunta “Que brinquedo queres?”. Tinha chegado o dia de ir ao estádio. Mesmo que nos primeiros anos que lá ia, pudesse adormecer por alguns instantes, ele a cada ano que passava, ganhava cada vez mais vontade. O Luís aprendeu a amar. A bola entrou?? Vá lá, digam-me, não consegui ver! Sim, é golo!!!!!. Já acabou? Quer dizer que ganhamos?? E o Luís lá vinha, dando a mão ao pai e ao irmão, para não se perder. Em cada degrau que pisava, via uma jogada sua naquela relva, com aquele mesmo escudo ao peito, com aquelas mesmas cores… E sonhava em um dia, marcar um golo e subir a bancada, tentando abraçar todo o estádio. Ele sabia que não conseguia abraçar toda a gente. Mas mesmo assim, imaginava. Não pagava mais por isso. No carro, imaginava mais umas jogadas. Imaginava-se a jogar com o Benfica, o Sporting, o Porto. Sempre a ganhar. Claro que isto nunca passou de um sonho para o Luís, assim como para quase todas as crianças. Chegava a casa. Contava o jogo à mãe, com todo o entusiasmo do mundo. Ia para o jardim chutar a bola. Repetia o jogo todo na sua cabeça e esperava ansiosamente pelo próximo.
O Luís já sorriu, já chorou, já saltou, já gritou, já amuou, já cantou… E continua a fazer tudo isso, a cada fim-de-semana. Porque ele sabe, que aconteça o que acontecer, o primeiro amor é sempre o melhor. E ele sabe, que o seu primeiro amor é o Braga.
E por muito que custe a entender, o Braga é “o maior” para ele. Hoje está lá em cima. Amanhã pode estar lá em baixo. Mas para o Luís, o que interessa é que ele esteja sempre presente. Em primeiro ou em último. Não é isto que nos move? Quem nunca quis explodir de alegria com um golo? Quem nunca quis chorar porque perdeu? Quem nunca ficou sem voz de tanto cantar?
Vocês sabem o que eu quero dizer…
O futebol é assim. Ama-se e pronto…
Foi aqui que me inspirei. Obrigado ao meu irmão por isso.
Não posso negar que soltei uma ou outra lágrima ao ler o post do meu irmão, porque eu, como ele, passei por tudo aquilo, por todas as dúvidas, mas tal como ele, nunca abandonei o meu clube.
http://porumcanudo.blogspot.com/
Luís Peixoto, the Scottish
