Saturday, October 22, 2005

Amor

Quero-vos contar uma história. Deixem-me contar esta história…

Era uma vez um menino chamado Luís. Ele não sabia bem ainda o que queria ser quando fosse grande. Na verdade, só o soube muito mais tarde. O Luís gostava de brincar, de ver desenhos animados, de olhar para o céu e imaginar o que lá havia. Resumindo, o Luís era uma criança como as outras, não se preocupava com muita coisa. Mas o Luís, além de tudo isto que gostava de fazer, era um menino que esperava ansiosamente cada fim-de-semana, não apenas para poder dormir mais ou para poder estar mais em casa para brincar com os pais, os irmãos, os brinquedos, os cães, os gatos… Ele adorava chegar ao fim-de-semana e ouvir o pai dizer: “Vamos lá?”. Estas palavras soavam como quando alguém nos pergunta “Que brinquedo queres?”. Tinha chegado o dia de ir ao estádio. Mesmo que nos primeiros anos que lá ia, pudesse adormecer por alguns instantes, ele a cada ano que passava, ganhava cada vez mais vontade. O Luís aprendeu a amar. A bola entrou?? Vá lá, digam-me, não consegui ver! Sim, é golo!!!!!. Já acabou? Quer dizer que ganhamos?? E o Luís lá vinha, dando a mão ao pai e ao irmão, para não se perder. Em cada degrau que pisava, via uma jogada sua naquela relva, com aquele mesmo escudo ao peito, com aquelas mesmas cores… E sonhava em um dia, marcar um golo e subir a bancada, tentando abraçar todo o estádio. Ele sabia que não conseguia abraçar toda a gente. Mas mesmo assim, imaginava. Não pagava mais por isso. No carro, imaginava mais umas jogadas. Imaginava-se a jogar com o Benfica, o Sporting, o Porto. Sempre a ganhar. Claro que isto nunca passou de um sonho para o Luís, assim como para quase todas as crianças. Chegava a casa. Contava o jogo à mãe, com todo o entusiasmo do mundo. Ia para o jardim chutar a bola. Repetia o jogo todo na sua cabeça e esperava ansiosamente pelo próximo.

O Luís já sorriu, já chorou, já saltou, já gritou, já amuou, já cantou… E continua a fazer tudo isso, a cada fim-de-semana. Porque ele sabe, que aconteça o que acontecer, o primeiro amor é sempre o melhor. E ele sabe, que o seu primeiro amor é o Braga.
E por muito que custe a entender, o Braga é “o maior” para ele. Hoje está lá em cima. Amanhã pode estar lá em baixo. Mas para o Luís, o que interessa é que ele esteja sempre presente. Em primeiro ou em último. Não é isto que nos move? Quem nunca quis explodir de alegria com um golo? Quem nunca quis chorar porque perdeu? Quem nunca ficou sem voz de tanto cantar?
Vocês sabem o que eu quero dizer…

O futebol é assim. Ama-se e pronto…

Foi aqui que me inspirei. Obrigado ao meu irmão por isso.
Não posso negar que soltei uma ou outra lágrima ao ler o post do meu irmão, porque eu, como ele, passei por tudo aquilo, por todas as dúvidas, mas tal como ele, nunca abandonei o meu clube.
http://porumcanudo.blogspot.com/

Luís Peixoto, the Scottish

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Wednesday, October 12, 2005

Debaixo dos caracóis

Deixo aqui a letra de uma das músicas mais bonitas que já ouvi até hoje…
Muitas tunas tocam-na, o Caetano Veloso toca-a, mas acho que a versão original é do Roberto Carlos e Erasmo Carlos, embora não tenha a certeza…


Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
Um dia areia branca seus pés irão tocar

E vai molhar seus cabelos a água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir prá ver você chegar

E ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar

| Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

| Uma história prá contar de um mundo tão distante

| Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

| Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido que você vê agora

Nas ruas por onde anda, na casa onde mora

Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente

Você só deseja agora, voltar prá sua gente

Debaixo dos caracóis...

Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho

Deixa sangrar no peito uma saudade um sonho

Um dia vou ver você chegando num sorriso

Pisando a areia branca que é seu paraíso

Luís Peixoto, the Scottish
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Sunday, October 9, 2005

Por um dia

Gostava de encontrar um génio da lâmpada. Entre muitas coisas, pedia-lhe uma que me daria imenso gozo e prazer. Pedia-lhe para que, por apenas um dia, todos os homens fossem mulheres e todas as mulheres fossem homens. Assim, mesmo que fosse por apenas um dia, teríamos todo o direito de amuar sem razão aparente, poderíamos desligar uma chamada de telemóvel sem avisar. Era legítimo proferirmos afirmações como “És um fútil…”, “Não me ligas”, “É só isto que significo para ti?” ou “Tá bem, vai lá divertir-te com os amigos. Eu não me importo. A sério”.
E depois podíamos fazer caír o mundo delas (ou deles, durante este dia) e dizer: “Temos que falar…”. Depois dizíamos que ele é o nosso melhor amigo, é excelente, simpático, amoroso, dá atenção, carinho, tudo. Mas… És o meu melhor amigo sabes? Mas agora tenho que ir ter com o meu namorado musculado que tem um boné fixe e tem um GT TDI com jantes de coiso… Não me importo que ele não me ligue, que não me leve a jantar fora, que não me telefone só para dizer que me ama. Não me importo, a sério. Ele é fixe. É muito cool. Mas olha, continuas a ser o meu melhor amigo. Gosto muito de ti.

E depois que bom que era ver o sofrimento delas (deles neste caso). Ver que por muito que façam e por muito boas pessoas que sejam, nunca é suficiente para nos agradarem. Porque não têm um GT TDI. Porque não são cool, e porque às vezes chegam a ser loucos e dizer “Amo-te”.
No fim do dia, quando já estivessemos quase a voltar à normalidade, recusaríamos simplesmente um convite para saír. No fundo até queríamos saír, jantar fora, ir a um bar. Mas tínhamos que dizer que não. Para fazer um jogo. Porque nós, gajas, gostamos de jogos. Dizemos que não quando queremos dizer que sim. Para que não nos entendam. Para podermos ter uma desculpa para amuar e criar situações desagradáveis. Para podermos dizer “És um fútil…”.

Depois, no dia a seguir, quando os homens voltassem a ser homens e as mulheres voltassem a ser mulheres, este dia continuaria na memória de todos. Talvez o Mundo fosse melhor a partir daí. Talvez aí elas percebessem o que nos fazem. Talvez aí conseguissem, lá do alto de toda a sua astúcia para joguinhos, decifrar o que de facto somos capazes de fazer por elas, mesmo que elas não o saibam…

Luís Peixoto, the Scottish

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A propósito de eleições

Hoje sei que, independentemente dos resultados das eleições, terei que desligar a televisão lá para as 20 horas. Não só porque a partir dessa hora devo saír, mas principalmente porque sei que a partir dessa mesma hora, as televisões vão transmitir o mesmo, com actualizações ao minuto, do mesmo. Ou seja, das 19 às 20, dá para conferir os resultados, pensar um pouco sobre eles, reflectir sobre isso. A partir daí, vem o “cócó”. Comentadores que percebem de tudo, jornalistas que fazem perguntas parvas, gráficos bonitos que mostram mais do mesmo.

Eu sei que, mesmo que o Mesquita ganhe em Braga, o Assis no Porto e o Soares em Sintra, não me vai apetecer estar até às 2 da manhã em frente à TV, porque vou ser bombardeado com “coisas”. Inúteis, geralmente. Por muito que goste de política, não consigo gostar da maior parte do jornalismo que se faz em Portugal. E muito menos se a este jornalismo, lhe juntarmos comentadores que comentam de tudo, desde política, passando por futebol e terminando nos acontecimentos da semana passada.

Já fui votar. O Mesquita continua a merecer a minha confiança.
Já agora, até se podem tar a cagar para a política, mas votem… Ou então fechem-se no vosso mundinho, a cagar para o vosso país. A escolha é vossa.
Eu escolhi contribuir para o futuro da minha freguesia, da minha cidade, do meu país. Porque o amo. E vocês?

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 16:09:30 | Permalink | Comments (4)

Friday, October 7, 2005

Voltamos

Porque uma imagem vale mais do que mil palavras… Cliquem aqui.
Diga-se apenas que foi uma das melhores noites desde que cheguei à Universidade.
E diga-se também que neste momento é a foto mais vista da noite…

Vejam o resto em:
http://www.noiteflash.com/index.php?option=com_gallery2&Itemid=16&g2_view=core.ShowItem&g2_itemId=13667

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 23:18:22 | Permalink | Comments (4)

Monday, October 3, 2005

Uma aula normal

Faculdade de Filosofia de Braga, sala 2.4.
11:38 h

O eclipse passou. Parece que só daqui a uns 20 anos vemos outro. Na sala, ouço uma voz que me parece familiar. É da Fabrizzia. Mas eu estou longe. Só eu? Não… O Mateus continua no mundo dos RPG’s e vai desenhando demónios no caderno. Entre o Ramki, o Ikmar, o Phenix, o Leviathan ou o Titan, tenho a sensação que um dia, alguns destes ainda vão ter um lugar num qualquer RPG. Cheguei a temer que se soltassem após o eclipse. O Rui, escreve o nome e desenha um ”I” em forma de espada, na capa do caderno. Lembro-me do tempo do secundário. A Fabrizzia dá sermão, por causa dos telemóveis ligados. Enquanto isso, o Bósnia tá “a ber”. Entre um desenho e um olhar perdido (talvez em Chaves), lá vai passando o tempo da aula. O Cocas faltou. Interrogo-me se não devia ter faltado também. Eu e todos os que cá estão, aposto. Até pensamos nisso, mas fomos literalmente puxados até à aula pela Li. A consciência também nos puxou para aqui.
Olho em volta. Aposto dinheiro em como 80% das pessoas que estão na aula têm o pensamento fora daqui. É só olhar para elas para perceber isso. Algumas mostram um olhar de interesse. Superficial, suponho eu… O Dino olha para o vazio, “a ber”. Ouvem-se murmúrios, para variar. Deu-me uma vontade súbita de subir à mesa e dançar o “hoola - hoola”, enquanto digo em voz alta: “Só me apetece fazer o amor!”. Penso outra vez. Talvez seja melhor não fazer isso. Mas, como diz o Bósnia, tenho receio de não ter controlo sobre o meu corpo e de repente começar mesmo a fazer isso. Fala-se de Freud. Esse gajo já “desaparecia” das aulas… Há quem pense que Freud é a psicologia. Não é. De repente tenho uma visão. “The Body” de perfil surge no meu horizonte. Rápido, tenho que pensar em coisas diferentes. Tupper - wares, Demis Roussos, música tradicional do Suriname. Vá lá. Consegui controlar os meus impulsos. O Mateus faz que está a escrever o que a Fabrizzia dita. Eu, por estar a escrever há largos minutos, suponho que aos olhos dos outros passo por aluno aplicado. O Bósnia atirou-me um olhar de reprovação por estar a escrever. Ele pensa que é sobre a aula… Mas não, é para o blog. E já lho disse. Não fosse ele pensar que tiro apontamentos nas aulas.
Aproxima-se o fim da aula, todos pararam de desenhar, mas continuam “a ber”. O Mateus boceja. O Rui, “bê”. O Bósnia fixa um ponto não sei onde. Eu escrevo. O Cocas deve estar na sala da Tuna, também “a ber”.
Está na hora de almoçar. Acho que fico por aqui… A aula não.
Não pensem que as aulas são chatas. Só acho é que ouvir uma mistura de português com italiano, à hora do almoço e com muito sono, não combina bem. O Bósnia está louco. Pela primeira vez em mais de um ano, vejo-o a saír a meio da aula, com uma vontade enorme de comer, suponho eu. Ou então de libertar fluídos. Ou sólidos… Pelos menos não ia a andar à Yeti… Talvez tenha mesmo saído da aula porque simplesmente lhe apeteceu.
Não tarda muito e vejo o Mateus a correr de cuecas pela sala fora. A Fabrizzia fala no “super ego”. Eu não resisto a imaginar o ego de capa às costas. Também se fala no “id”. Digo ao Mateus, “Id ou ficai…”. Ele ri-se.
Fabrizzia, está na hora… Pela continuidade do seu discurso, suponho que não…
Acho que vou fazer mais uns desenhos…
Não resisto a escrever mais uma coisa. Um breve diálogo entre mim e o Mateus diz tudo.

“A que horas acaba a aula?” - pergunto eu;
“Tarde…” - responde-me ele…

Foi assim esta aula…

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 21:28:05 | Permalink | Comments (6)