Let it snow…

Ponte sobre o rio Liffey, Dublin.
Porque Dublin, numa foto, mostra tudo o que eu quero dizer num texto como este.
Encosto-me na cadeira. Olho pela janela e sinto que é Natal. Mesmo sabendo que ainda é dia 27 de Novembro, sei que já é Natal. E não, não é apenas porque o Braga Parque já se coloriu com luzes e enfeites de Natal. Também não é porque já há pinheiros decorados em muitas casas. Sinto que é Natal, porque o Natal não é o dia 24 nem o dia 25 de Dezembro. Por muito alterado que tenha sido o conceito de Natal ao longo dos anos, muito por culpa da televisão, ainda acredito que há quem saiba o que é o Natal. Até podes nem ser cristão. Tudo bem. Somos amigos na mesma. Importa aqui, saberes o que é o Natal. E não falo daqueles programas lamechas da TV. Não falo das campanhas de solidariedade que só se fazem por esta altura… Muito menos falo dos filmes que dão todos os anos durante a semana que antecede o Natal. O verdadeiro Natal inspira. Não sei bem o que inspira. Mas sei que inspira. Há qualquer coisa lá fora que me diz que é Natal. Se perdesse a noção temporal, era bem provável que descobrisse que já é Natal. Mesmo que não desse o “Sozinho em Casa” ou “O meio tio solteiro” na TV, eu ia adivinhar que era Natal…
Eu sei que estamos todos bem fartos dos “jingles” de Natal. Mas são CD’s como o que estou a ouvir que nos mostram que há músicas que podem ser muito bem exploradas até serem transformadas em novas músicas. Foi numa tarde de “amuanço” colectivo que descobri este CD. Numa das nossas voltas pela Valentim de Carvalho, lá descobrimos este CD no meio de tantos outros. “Deve ser interessante”, pensamos nós. E, como não nadamos em dinheiro, pensamos que seria também interessante fazer uma busca pela Internet sobre este CD. Descobri-o. E “comprei-o”. Mesmo após as muitas alterações que fiz ao conceito de “comprar”. E digo-vos. Merece ser comprado. A senhora é agradável aos olhos. É ainda mais agradável aos ouvidos. E sim, mesmo que Diana Krall não seja propriamente um fenómeno de popularidade, sei que há quem goste. E é para eles que digo. Comprem este CD. Agora é convosco se preferem comprar ou “comprar”.
Lá fora está frio. E não é frio de Janeiro. É frio de Dezembro. Veio mais cedo, mas veio em boa hora. Gosto de muita roupa. Gosto de cachecóis, de luvas, de botas, de frio, de nuvens, de sol, do escuro, do claro, das luzes, das cores, da música, das pessoas, dos livros, dos carros, dos enfeites… Eu gosto, basicamente, do Inverno. Quase que podia ser consieradada uma patologia no DSM (não é assim caro professor?). E digo podia, porque o “normal” é gostar do Verão. Exceptuando as férias, não encontro mais coisas boas no Verão. Ok. Roupas curtas… Não em nós. Nelas. Mas, mais uma vez, eu gosto do Inverno. E nem quero saber se é mais normal gostar do Verão. Porque eu gosto do frio. Gosto de Dezembro. Não podia traír o meu mês.
E depois de tudo o que escrevi, apetece-me dizer:
“Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we’ve no place to go
Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!”
E já agora,
“Have yourself a merry little Christmas”
Luís Peixoto, the Scottish



