Wednesday, January 25, 2006

Arde, sem se ver…

“Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar me, e novas esquivanças;
que não pode tirar me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

 Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

 Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

 Que dias há que n’alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como, e dói não sei porquê.”

 

Luís Vaz de Camões

 

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

 

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Tuesday, January 24, 2006

Coisas de estudante

Sento-me à frente do computador. Sei que não é ele que me vai levar para a cama, também sei que não é ele que me vai trazer o sono. Mas sei que enquanto aqui estiver, tenho o Mundo para ver. E isso chega-me. Percorro blogs que não lia há meses. Sabe bem saber que ainda estão bem acordados. É bom saber que há gente capaz de se exprimir perante uma plateia de ilustres desconhecidos. Estou cansado. Sim, é só físico, mas mesmo assim estou cansado. Eu até sei porque é que resolvi escrever algo novo. Porque neste momento, estava capaz de ler os “Lusíadas” de seguida. Por mim, até ficava aqui a transcrever obras de Shakespeare até de manhã. É que por muito que a responsabilidade chame, há coisas que nunca mudam. Se quiserem, faço uma aposta convosco. Aposto que amanhã, por volta das 9:05, vou dizer para mim mesmo: “Tiveste tanto tempo… No próximo é que é!”. E aposto ainda mais. Aposto que no próximo é que é. Perco. Mas pelo menos ficamos com as apostas equilibradas. Nunca um teclado me soube tão bem. Acho que ainda vou ver quais as notícias que nos chegam da Antárctida. Pode ser que haja algo novo. Provavelmente os pinguins continuam por lá. Acho que por hoje já vi o Mundo. Tudo bem, vi-o em 17 polegadas. Mas para já chega. Um dia pode ser visto em tamanho real.

Luís Peixoto, the Scottish

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Wednesday, January 11, 2006

Dos ventos e dos mares. Da aventura.

Conheço um país. Feito de história, de glória, de passado, de aventura. Conheço um povo. Feito de alma, paixão, vontade. Um país que outrora era habitado por pessoas que não tinham medo do desconhecido, de pessoas que dobravam cabos, que atravessavam oceanos. E por muito que o vento soprasse contra as suas caravelas, continuava. Porque sabia, que mais tarde ou mais cedo, mais monstro menos monstro, iria avistar terra, iria chegar lá, ao sítio onde se tinha proposto chegar. O mar salgou-lhe as lágrimas, tirou-lhe força, mas nunca lhe tirou a alma. Um povo que fazia da sua língua uma paixão. Que ergueu castelos, que construiu um império de meio mundo.
Não sei desse povo. Nunca mais ouvi falar. Andará algures, perdido. Espero que se tenha perdido para se encontrar. Espero que um dia acorde e pense que a culpa nunca lhe é alheia. Que acorde e tenha a coragem de seguir em frente, porque mais tarde ou mais cedo, mais monstro menos monstro, há de avistar terra, há de chegar lá, ao sítio onde se tinha proposto chegar, ao sítio onde nunca deixou de estar.

Luís Peixoto, the Scottish

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Sunday, January 1, 2006

A primeira

Quis que a primeira música a ouvir no ano de 2006 fosse a Carta. Porque esteve sempre cá em 2005 e vai continuar a estar, sempre, em 2006.

Feliz 2006 para todos vós.

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 00:11:27 | Permalink | Comments (3)