Saturday, March 18, 2006

O Representante do Governo Civil

Quem de nós não conhece aquela magnífica, soberba, inatingível figura, que é o “Representante do Governo Civil”. Ele está em todas. Lembro-me de ver a “extracção” dos números do Totoloto, na RTP, sempre com a presença desta mítica figura, sentada, ao centro de uma mesa composta por uma equipa de figuras que ainda hoje permanecem desconhecidas. Porém, apesar de aparecer em todos estes eventos públicos que envolvem qualquer tipo de sorteio, esta figura possui um lado sombrio, estranho. Sinceramente, nunca me lembro de ver estes representantes a esboçar qualquer tipo de reacção que demonstrasse alguma emoção. O que me leva a pôr em causa o seu carácter humano.
Mas esta mítica figura, na minha opinião, poderia ter uma aplicação muito mais vasta na sociedade. Em todos os jogos de futebol, devia haver um representante do Governo Civil, para dizer se o resultado é justo ou não. Nos restaurantes, haveria um destes representantes, ao lado de cada mesa. Imaginem:

“Olhe, hoje acho que vai ser uma de carne de vitela com arroz, se faz favor”; - dizemos nós.
“Muito bem” - responde o empregado;
“Ah! Olhe que não… O bacalhauzinho tá melhor. Mais gostoso” - diz o representante.

Mas sempre, sempre com uma expressão de figura inatingível.
Mais ainda, era interessante ter um representante do Governo Civil em cada sala de aula. Alguém ia à casa de banho a meio de uma aula, mas era prontamente reprovada pelo representante. No fim de cada aula, este avaliava o comportamento do professor. Se detectasse alguma irregularidade, mandava repetir a aula.
E havia ainda muitas mais aplicações práticas para esta figura incontornável e insubstituível que é o “Representante do Governo Civil”.

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Monday, March 13, 2006

Que bom

 

Um dia de Sol. De Primavera. Estou recuperado. Vou saír. Vou reunir os amigos. Em qualquer lado. Hoje, é um dia de Sol. Qualquer lado é suficiente.
Está um dia lindo. Que bom.

 

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Saturday, March 11, 2006

O maior

É o maior em Portugal. É dos maiores lá fora.

 

 

 

 

 

Luís Peixoto, the Scottish 

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Friday, March 10, 2006

Carta

Hoje é sexta-feira. Não sei o que dizer sobre este tempo todo. Sou daqueles que acredita que as coisas mudam com os dias. Tu não? Eu entendo. Mas pelo menos, espero que acredites que há coisas que nunca mudam. Mas há outras que mudam, se o quisermos. Sabes, esta semana acordou-me. Às vezes não é fácil, quando se está a dormir tão tranquilo, ter alguém que nos acorde tão abruptamente. Eu sei que foi sem querer, que não o querias. Mas no fundo, eu queria. Acho que fizeste bem. Pelo menos, consegui abrir os olhos. Queres saber uma coisa? Esta semana perguntaram-me mais do que uma vez porque é que eu estava assim. Assim como? Perguntei eu, na tentativa de me mostrar mais forte do que sou. Eu não lhes soube responder. Por medo? Talvez. Mas principalmente, porque não sabia mesmo responder. Faltam-me tantas palavras. Eu sei que tudo isto é mais um episódio desta interminável jornada. Mas cá para mim, os pequenos episódios são os que dão sentido à vida. E tu és um deles.
Há uns dias, um amigo meu disse: “Era suposto isto ser fixe…”. Eu concordei com ele. E continuo a concordar. Mas o que é suposto ser, nem sempre o é. Estou tão cansado… Não é de ti. Não sei do que é. Mas estou cansado. Não sei se é da música, do tempo, do dia… Mas algo me perturba. De uma forma boa e má. Há coisas que não são feitas para ser explicadas. Acho que tu és uma delas. Ou então sou eu. Não sei.
Depois disto tudo, continuo a entender tanto como no primeiro dia. No dia em que o movimento de rotação da Terra foi interrompido. No dia em que te lembraste de aparecer, não sei bem porquê. Dizem que às vezes estamos no local certo, à hora certa. O contrário também se diz… Não sei qual deva dizer. Mas uma coisa eu sei. Sei que nunca fui acordado tão abruptamente como desta vez. Sei que há pessoas que mudam o rumo de uma vida.
Não, não mudaste a minha. Ou então mudaste. Vês? Eu não sei o que digo. Nem o que penso…

Acho que isto nunca pode servir de nada. Tudo tem um propósito. Tudo tem uma razão. E isto não foge à regra.
Só queria que me dissesses qual o propósito.
Vemo-nos por aí.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Thursday, March 9, 2006

Vai passando

Parece que vai passando… Aos poucos, vai passando…

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Wednesday, March 8, 2006

Isto cansa…

É bom estar cansado. Faz-nos pensar em tudo o que temos feito até hoje. Mas principalmente, em tudo o que temos para fazer daqui para a frente. É nestes momentos de imenso cansaço físico que me dá vontade de fazer ainda mais. Mas estou cansado demais para pensar. Já não sei no que penso, no que não penso, no que devia pensar…
Isto amanhã deve passar, não?
Deve…

 

Luís Peixoto, the Scottish 

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Acho que te vi…

Aquele bar, naquela noite, era todo ele festa. Tanta gente, tantas vozes. A música não parava, em alto volume, como sempre. Gente saía. Gente entrava. Provavelmente aquele bar nunca tinha ouvido tantas conversas, tantas palavras. Lembro-me de estar cansado, até com sono. Mas no fundo, eu sabia que a noite não tinha chegado ao fim. Bastou andar uns curtos metros para o lado, para conseguir encontrar um local mais sossegado. No entanto, ainda ouvia muitas vozes. Passo os olhos por cima daquela gente. Pareciam-me todos iguais. Mas, do nada, o meu olhar fixou, os meus ouvidos cessaram, engoli em seco. Naquele gesto que parecia um simples olhar, havia algo mais. A música parou. Não oiço as vozes dos amigos, muito menos as dos desconhecidos. Acho que aquele bar nunca esteve tão calmo. Lembro-me de pensar para mim mesmo se aquilo era normal. Dizem que sim. Eu tentei desviar o olhar. Não consegui.
Ela sorriu.
Eu morri. Porque me mataram com o olhar. E com o sorriso.
E continuei o meu caminho.
Acho que já te vi algures. Talvez…
Vi-te de novo. Sem saber bem como, descobri-te de novo. Acho que foi pelo sorriso, ou pelo olhar. Desta vez não me matou. Acordou-me.

Nunca um bar ficou tão calmo.
Acho que te encontrei…

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Sunday, March 5, 2006

Afinal não

Ontem acordei. Só uma coisa me perturbava a aparente tranquilidade de mais um Sábado. Uma coisa, do tamanho do Mundo. E pensei, pensei, pensei… E continuei a pensar. Mas não cheguei a lado nenhum. Até que senti que o melhor era deixar-me estar, continuar assim, se me sinto bem assim, porquê correr riscos? É isso, vou ficar assim, não vale muito a pena tentar uma coisa que à partida, está contra a maioria das probabilidades.

Mas não, afinal não. Porque há dias que mudam o curso da nossa vida. E o que parecia uma coisa simples, banal, tornou-se na maior das coisas pelas quais um homem pode passar. Afinal acho que posso tentar. Não custa nada. E posso ganhar.

Porque um homem também chora. Mas no fim, acaba sempre por sorrir.
E não perde nada em tentar. Foi o que eu aprendi num Sábado igual a todos os outros.
Até já.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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