Wednesday, June 28, 2006

(Des)Encontro

Ele ali estava, naquele canto que fazia a esquina de duas ruas iguais a todas as outras. Ali, onde ele sempre pensou que deveria estar. Havia gente a passar, gente que deixava fugir o olhar para cima dele, como quem pensa “Estúpido. Aqui parado…”. E ele gostava. Olhava os carros, as pessoas, os pássaros, a calçada, as folhas. Sempre com a certeza que aquele era o sítio. Era ali que deveria estar. Com um sorriso nos lábios, ironizava com o olhar de desprezo dos outros. Fazia-o sentir-se bem pensar que mais tarde ou mais cedo, aquela gente ia perceber. Enquanto isso não acontecia, ironizava. A cada minuto que passava pensava quanto tempo já tinha passado ali. Sozinho, com certeza. Mas com o contentamento de saber que da próxima é que era. Meia mão dentro do bolso, meia fora, deixava transparecer um nada de impaciência. Já sabia quantas pedras aquela calçada tinha. Sabia que faltava ali uma, não porque as contou, mas porque ontem ela ali estava. “Não deve estar longe”, pensou. Talvez amanhã ela estivesse ali de novo. Amanhã… Voltou-se para o outro lado. Estava há demasiado tempo a olhar para ali. Mais gente a passar. O ruído de uma pedra solta de todas as outras a rolar pela calçada não lhe passou despercebido. Numa fracção de segundos, sentiu a pedra mais próxima. Voltou-se para ver, tentou-se desviar.

“Desculpe! A pedra estava solta, acertei-lhe sem querer ao caminhar e ela acertou-lhe a si…” - disse uma voz feminina que lhe aqueceu a alma.

“Não faz mal…” - disse enquanto sorria e encolhia os ombros, num tom de timidez…

“Magoei-o? Estava com pressa, desculpe…” - disse ela.

“Magoou. Ainda bem que o fez… Agora temos todo o tempo do Mundo para me curar…” - disse ele num tom confiante.

“Acha…?” - responde-lhe ela com um sorriso escondido e um olhar fugaz…

“Sim. Nunca tive tanta certeza…” - responde ele.

 

E por ali ficaram, naquela esquina de duas ruas iguais a tantas outras. Num dia igual a tantos outros…

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Tuesday, June 20, 2006

Magia

Há qualquer coisa de mágico na forma de ela tocar, de cantar, de escrever… Há qualquer coisa de mágico na forma como a música flui, desenvolve… É uma espécie de fio de água que corre sem parar, límpida de sujidade e de ruído. Fresca. É uma forma de sentir diferente. É qualquer coisa inexplicável, mas que existe. Por muita música que se faça, esta não se perde. Há quem lhe chame magia. Não sei… Para mim até pode ser chamada assim. É quase isso. Mesmo quase…

Chama-se Norah Jones…

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Sunday, June 18, 2006

Chega…

De me colocarem palavras na boca…
De me preocupar com os outros…
De vestir a máscara do mau da fita…
De tentar explicar…
De inocência.

Quanto mais longe, melhor.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Saturday, June 17, 2006

Conceito pertinente

Vamos aprender algo:

Hipocrisia - do grego hypocrisia, forma poética de hypócrísis, desempenho de um papel no teatro, dissimulação;
s.f., impostura, fingimento;

manifestação de virtudes ou sentimentos que realmente se não tem.

Já aprendemos? É que o raio do conceito não me sai da cabeça…

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

 

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Thursday, June 15, 2006

Um olhar…

“Vou levar-te para esse jardim
 Longe do Mundo, longe daqui…
 Quero ficar a olhar para ti
 Enquanto brilhas só para mim.
 E assim vais sorrindo
 Nesse olhar breve, curto, lindo…
 Gosto tanto quando me olhas assim…”

 13 de Junho de 2006
 
 Luís André Peixoto

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Sunday, June 11, 2006

É a nossa vez

 

É hoje. A nossa vez. Força Portugal.

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Tuesday, June 6, 2006

Nasceu

Chama-se Catarina. É o novo orgulho da família. Babado, no mínimo. É assim que eu estou. Babado…

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Friday, June 2, 2006

A eterna utopia

Ontem deitei-me a pensar numa coisa. Tem servido de tema para filmes, livros, músicas… Falo do “Sentido da Vida”. Não que me tenha acontecido algo que me colocasse na posição de pensador sobre o sentido da vida. Nada disso. Apenas dei por mim a pensar nisso. Acho que se pensa demais.
Qual é então o sentido da vida? Em primeiro lugar, a pergunta não deve ser feita. Está errada, não faz sentido. É o mesmo que me perguntarem porque é que gosto tanto de futebol. Porque sim. O sentido da vida não tem sentido algum. Nascemos, vivemos, morremos. Ponto. Em segundo lugar, a pergunta serve não mais para entreter. Vamos pensado, discutindo e passando algum tempo. Provavelmente é um ponto de vista muito pessoal. Talvez noutra situação dissesse algo completamente diferente. Mas acho que não vale a pena complicar. A vida é isto. Eu já senti o sal de uma lágrima. Já caí e já parti um braço. Já vi pessoas queridas partirem. Já vi pessoas queridas nascerem. Já corri até não poder mais, já senti o cheiro da terra molhada, já ri até doer, já rebolei a rir, já sorri para os amigos, já vi os amigos sorrirem para mim. Acabei de comer um excelente assado de perú. Logo vou beber um bom copo de cerveja com os amigos. Já chorei a ver futebol. De tristeza. De alegria. Já fiz tanta coisa. Já me ri tanto. Já amei. Já fui amado. Sou amado.
Não sei quando é que nos vamos aperceber de que não faz sentido perguntar qual o sentido da vida. Eu prefiro não perder muito tempo a pensar nisso.

E agora vou-me encostar a ouvir música. Para mim são coisas simples que fazem o sentido da vida.

Pense-se menos. Viva-se mais.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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