É já aqui ao lado…
Luís Peixoto, the Scottish
Luís Peixoto, the Scottish
Saltemos de alegria. É Verão… Yupi… Ena ena… Oba oba…
I got troubles oh, but not today
Cause they’re gonna wash away
They’re gonna wash away
And I have sins Lord, but not today
Cause they’re gonna wash away
They’re gonna wash away
And I had friends oh, but not today
Cause they’re done washed away
They’re done washed away
And oh, I’ve been cryin’
And oh, I’ve been cryin’
And oh, no more cryin’
No, no more cryin’ here
We get along Lord, but not today
Cause we gonna wash away
We gonna wash away
And I got troubles oh, but not today
Cause they gonna wash away
This old heart gonna take them away
Joe Purdy - “Washed away”
Hoje vou para a praia. Vou tentar não te levar comigo… Tentar…
Luís Peixoto, the Scottish
Com tudo feito, boas notas e sempre o mesmo entusiasmo.
Obrigado a Ti, aí em cima, a mim, à minha família e a todos vós.
Venham as férias.
Luís Peixoto, the Scottish
Foda-se.
Até quando…?
Luís Peixoto, the Scottish
É só para avisar o “Senhor Calippo”, o “Senhor Olá” ou qualquer outro senhor que tenha inventado o gelado Calippo, que podia ter pensado num formato diferente, de forma a dar ao acto de comer o gelado uma maior dignidade, principalmente quando se está no meio de um grupo de amigos do género masculino, que prontamente faz questão de assinalar com gestos e/ou palavras, o gesto pouco convencional que o acto de comer um gelado Calippo proporciona.
Luís Peixoto, the Scottish
Esta não é provavelmente a noite de verão que Shakespeare descreveu. A temperatura acima da média faz-me pensar se esta é uma noite normal. No plano meteorológico, não será com certeza. Num qualquer outro plano, será, talvez… A pele queima, o toque é evitável. Qualquer contacto com qualquer objecto estranho ao nosso corpo, incomoda. Tento qualquer coisa para sentir um pouco de brisa. Ela passa, mas como quem não quer ficar. Apenas gosta de nos tocar. E eu que ela me toque. A temperatura não deve baixar mais do que isto, já é madrugada. Mas no meio de todo este incómodo calor, observo a cidade, ao longe. Estou dentro dela, mas consigo observá-la ao longe. Está fria… Ontem percorri a cidade calmamente, ao fim da tarde. Parecia tão estranha, tão longe… Não consigo ver mais do que uma dezena de pessoas num espaço de 20 minutos. Vazia. Era assim que estava a cidade. Hoje, também. Esta noite, também. A cidade sabe quando lhe falta algo. Mas um sonho planeado e imaginado sobre uma base pouco sustentável, faz com que a cidade não pareça tão vazia. Não sabia que a tranquilidade podia ser tão contraditória. A cidade tão tranquila. Eu, eu estou muito menos tranquilo do que ela. Mas eu gosto. Hoje sinto que “o céu está mais azul”. Mesmo à noite.
A cidade continua ali, calma, vazia. Ela sabe que está incompleta. Acho que sabe porquê, embora não o diga a ninguém. Mas eu também sei porque é que ela está assim. Mas shiu, não lhe digam. Não quero que ela saiba que eu sei. Vamos adormecer os dois, eu e ela, com a certeza de que estamos incompletos. Por hoje, temo-nos aos dois. Já ajuda a enganar a sensação de ausência. Talvez Shakespeare não esteja assim tão longe deste sonho de uma noite de verão… Mas por muita música que a cidade ouça, por muita companhia que ela possa encontrar noutros lados, a cidade não vive sem aquela música, aquele olhar, aquele sorriso…
Não sabia como uma cidade pode sentir tanta falta de alguém…
No vento…
Luís Peixoto, the Scottish
“Haja o que houver, eu estou aqui
Haja o que houver, espero por ti
Volta no vento ó meu amor
Volta depressa, por favor
Ha quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor
Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti”
Madredeus, “Haja o que houver”
Luís Peixoto, the Scottish
Provavelmente já quase todos nós tivemos esta ideia. Mas nunca é demais falar sobre ela. Em conversa com um amigo e enquanto ouvia uma das minhas músicas preferidas, lembrei-me de algo que traria muito mais musicalidade às nossas vidas e pensei: “E se tivessemos uma banda sonora da vida?”. Pensem lá, não seria magnífico ir na rua e ouvir música, sem precisar de usar headphones, apenas ouvir… Era algo individual, cada um ouvia a sua música. Havia duas opções. A normal, em que a música que ouviamos era consequência de uma escolha lógica e voluntária, activada mentalmente. Ir na rua e pensar: “Esta música agora era fixe…” e ela começava a tocar, só para nós. Outra opção, mais arriscada, seria uma espécie de shuffle, em que a música tocaria involuntaria e independentemente do nosso pensamento. Apenas tocava mediante a situação vivida naquela momento, naquele instante. Claro que tudo isto só acontecia com músicas que gostássemos. Criavamos uma espécie de pasta de músicas. A partir daí, a situação vivida era capaz de escolher a que mais se adequava. Não era bom estarmos numa qualquer esplanada, num dia de sol e vermos aquela pessoa ao som daquela música? Ou então, quem nunca sonhou em estar na praia com os amigos e ouvir, só para si, “a música”. E simplesmente ficar a ver… Também traria os seus inconvenientes, claro, mas valia a pena. Eu sei, isto não faz qualquer sentido, é algo impossível. Mas também não custa nada pensar nisso.
Neste momento está a tocar a “Roads” dos Portishead. Só não sei se é voluntariamente ou involuntariamente…
Luís Peixoto, the Scottish