Sunday, July 30, 2006

É já aqui ao lado…

Peço ajuda ao telecomando para me tirar daquele cenário, peço que me leve para outras realidades que mesmo não sendo reais, ajudam a enganar o pensamento. Qualquer imagem é mais agradável do que aquela que passa a todos os minutos. A cada movimento que o polegar faz para insistentemente trocar de realidade, a imagem parece não se mover. Acho que vi as mesmas imagens nos quatro canais. Ou até nos cinco… Tenho cinquenta canais, mas acho que nenhum me vai fazer mover o pensamento dali. Todos os dias vemos imagens destas, já não nos dizem muito. Os media encarregam-se de tornar isto numa banalidade. Mas não me lembro de uma só imagem de guerra me ter criado tantas sensações distintas ao mesmo tempo. Não sei de quem é a culpa disto tudo, aposto que até é de todos. Mesmo todos. Não só daqueles que estão lá. Nossa também. Porque deixamos as coisas andar, nunca é nada connosco… Está longe… Até ao dia que estiver perto. Aí sim, vamos fazer cordões humanos e vamos fazer minutos de memória… Mas por enquanto, deixem-se estar aí no cantinho que nós não nos incomodamos. Aposto que para muitos de nós, a solução era “mandar bombas”, porque esses gajos “são todos iguais”, já “nascem a fazer bombas”. Claro que só o fazem porque lhes apetece. Simplesmente lhes apetece estourar com meia dúzia de coisas. É divertido. Ou então ninguém pensou porque é que o fazem… Partimos todos do princípio que “é assim a natureza deles” e pronto, tudo fica bem, do alto de toda a nossa sapiência. Um dia destes, junta-se um grupo de “artistas” invadidos por um espírito de solidariedade que curiosamente, apareceu na melhor altura e cria um single a dizer que a guerra é feia. E vamos todos ouvir, emocionados. Ou então, um dia destes, vamos todos pensar nas razões de tudo isto… Que dizem?

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 16:27:06 | Permalink | No Comments »

Wednesday, July 26, 2006

É Verão

Há uns meses atrás escrevia aqui neste blog toda a minha impaciência e avidez em relação à chegada do Verão. E diga-se, finalmente ele chegou. Chegou a praia, a piscina, o Gerês, as esplanadas ao fim da tarde, à noite, ao fim da noite, os jogos de futebol a qualquer hora, o céu azul, a brisa de fim de tarde. Mas com isso também chegou muita outra coisa. Para além do calor, chegou a ausência de planos, de locais para saír, de ideias… Hoje é um daqueles dias em que nada e tudo parece agradar. A Internet parece demasiado pequena, não sei por onde mais navegar. A televisão, essa, sabe quando não temos nada que fazer e adora passar programas desprovidos de qualquer interesse. Aposto que se amanhã tivesse algum exame, estaria neste momento a passar no Odisseia um interessantíssimo documentário sobre a vida da formiga e as suas magníficas formas de transportar alimentos. Ou então estaria a dar um especial sobre a cultura desse nobre país que é o Butão. Mas hoje não. Hoje a televisão não agrada, a Internet é pequena, o Messenger está vazio. Parece que do nada, todas as pessoas que conheço decidiram ir dar um passeio à Lua e só voltam mais logo. Entre milhares de músicas, não encontro mais do que meia dúzia que consiga ouvir. Ler? Se amanhã tivesse exame, teria todo o gosto em ler qualquer livro que tivesse ganho o Prémio Revelação Literária da República do Suriname. Mas hoje não me apetece. Tenho demasiado espaço vazio à frente para pensar em leituras. Até via um filme. Mas não me apetece alugar. Até ia ao cinema. Mas não me apetece gastar dinheiro. Até fazia qualquer coisa… Mas não me apetece. Neste momento, só me apetece uma coisa. Encostar numa confortável cadeira de uma qualquer esplanada à beira-mar, com uma qualquer bebida e com uma qualquer companhia. Ou então sozinho. Também se estaria bem…

Saltemos de alegria. É Verão… Yupi… Ena ena… Oba oba…

 
 
 
Luís Peixoto, the Scottish
Posted by Scottish at 18:04:47 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, July 25, 2006

Wash away…

I got troubles oh, but not today
Cause they’re gonna wash away
They’re gonna wash away

And I have sins Lord, but not today
Cause they’re gonna wash away
They’re gonna wash away

And I had friends oh, but not today
Cause they’re done washed away
They’re done washed away

And oh, I’ve been cryin’
And oh, I’ve been cryin’
And oh, no more cryin’
No, no more cryin’ here

We get along Lord, but not today
Cause we gonna wash away
We gonna wash away

And I got troubles oh, but not today
Cause they gonna wash away
This old heart gonna take them away

Joe Purdy - “Washed away”

 

Hoje vou para a praia. Vou tentar não te levar comigo… Tentar…

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 13:29:35 | Permalink | No Comments »

Monday, July 24, 2006

E assim foi mais um ano de curso…

Com tudo feito, boas notas e sempre o mesmo entusiasmo.
Obrigado a Ti, aí em cima, a mim, à minha família e a todos vós.
Venham as férias.

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 17:16:33 | Permalink | No Comments »

Thursday, July 20, 2006

É o que me apetece dizer…

Foda-se.

Até quando…?

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 13:26:25 | Permalink | Comments (2)

Wednesday, July 19, 2006

Ao cuidado do Sr. Calippo

É só para avisar o “Senhor Calippo”, o “Senhor Olá” ou qualquer outro senhor que tenha inventado o gelado Calippo, que podia ter pensado num formato diferente, de forma a dar ao acto de comer o gelado uma maior dignidade, principalmente quando se está no meio de um grupo de amigos do género masculino, que prontamente faz questão de assinalar com gestos e/ou palavras, o gesto pouco convencional que o acto de comer um gelado Calippo proporciona.

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 21:32:39 | Permalink | Comments (2)

Tuesday, July 18, 2006

Já hoje…

Vamos?

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 13:55:12 | Permalink | Comments (4)

Thursday, July 13, 2006

Sonho de uma noite de verão

Esta não é provavelmente a noite de verão que Shakespeare descreveu. A temperatura acima da média faz-me pensar se esta é uma noite normal. No plano meteorológico, não será com certeza. Num qualquer outro plano, será, talvez… A pele queima, o toque é evitável. Qualquer contacto com qualquer objecto estranho ao nosso corpo, incomoda. Tento qualquer coisa para sentir um pouco de brisa. Ela passa, mas como quem não quer ficar. Apenas gosta de nos tocar. E eu que ela me toque. A temperatura não deve baixar mais do que isto, já é madrugada. Mas no meio de todo este incómodo calor, observo a cidade, ao longe. Estou dentro dela, mas consigo observá-la ao longe. Está fria… Ontem percorri a cidade calmamente, ao fim da tarde. Parecia tão estranha, tão longe… Não consigo ver mais do que uma dezena de pessoas num espaço de 20 minutos. Vazia. Era assim que estava a cidade. Hoje, também. Esta noite, também. A cidade sabe quando lhe falta algo. Mas um sonho planeado e imaginado sobre uma base pouco sustentável, faz com que a cidade não pareça tão vazia. Não sabia que a tranquilidade podia ser tão contraditória. A cidade tão tranquila. Eu, eu estou muito menos tranquilo do que ela. Mas eu gosto. Hoje sinto que “o céu está mais azul”. Mesmo à noite.
A cidade continua ali, calma, vazia. Ela sabe que está incompleta. Acho que sabe porquê, embora não o diga a ninguém. Mas eu também sei porque é que ela está assim. Mas shiu, não lhe digam. Não quero que ela saiba que eu sei. Vamos adormecer os dois, eu e ela, com a certeza de que estamos incompletos. Por hoje, temo-nos aos dois. Já ajuda a enganar a sensação de ausência. Talvez Shakespeare não esteja assim tão longe deste sonho de uma noite de verão… Mas por muita música que a cidade ouça, por muita companhia que ela possa encontrar noutros lados, a cidade não vive sem aquela música, aquele olhar, aquele sorriso…

Não sabia como uma cidade pode sentir tanta falta de alguém…

No vento…

 

Luís Peixoto, the Scottish

 

Posted by Scottish at 02:33:34 | Permalink | Comments (5)

Tuesday, July 11, 2006

Esta toca involuntariamente. Mas eu gosto.

“Haja o que houver, eu estou aqui
Haja o que houver, espero por ti

Volta no vento ó meu amor
Volta depressa, por favor

Ha quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti

Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti

Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti

Cada momento é pior
Volta no vento por favor

Eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti

Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti”

Madredeus, “Haja o que houver”

 

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 16:06:13 | Permalink | Comments (2)

Saturday, July 8, 2006

Banda sonora

Provavelmente já quase todos nós tivemos esta ideia. Mas nunca é demais falar sobre ela. Em conversa com um amigo e enquanto ouvia uma das minhas músicas preferidas, lembrei-me de algo que traria muito mais musicalidade às nossas vidas e pensei: “E se tivessemos uma banda sonora da vida?”. Pensem lá, não seria magnífico ir na rua e ouvir música, sem precisar de usar headphones, apenas ouvir… Era algo individual, cada um ouvia a sua música. Havia duas opções. A normal, em que a música que ouviamos era consequência de uma escolha lógica e voluntária, activada mentalmente. Ir na rua e pensar: “Esta música agora era fixe…” e ela começava a tocar, só para nós. Outra opção, mais arriscada, seria uma espécie de shuffle, em que a música tocaria involuntaria e independentemente do nosso pensamento. Apenas tocava mediante a situação vivida naquela momento, naquele instante. Claro que tudo isto só acontecia com músicas que gostássemos. Criavamos uma espécie de pasta de músicas. A partir daí, a situação vivida era capaz de escolher a que mais se adequava. Não era bom estarmos numa qualquer esplanada, num dia de sol e vermos aquela pessoa ao som daquela música? Ou então, quem nunca sonhou em estar na praia com os amigos e ouvir, só para si, “a música”. E simplesmente ficar a ver… Também traria os seus inconvenientes, claro, mas valia a pena. Eu sei, isto não faz qualquer sentido, é algo impossível. Mas também não custa nada pensar nisso.

Neste momento está a tocar a “Roads” dos Portishead. Só não sei se é voluntariamente ou involuntariamente…

 

Luís Peixoto, the Scottish

 

Posted by Scottish at 14:41:05 | Permalink | Comments (1) »