No surprises
Hoje apetece-me escrever. Dizer que estou cansado, que tenho sono… Ou dizer que ainda agora comecei. Dizer algo basta. Olhar para uma folha em branco e saber que aqui posso ser. Hoje apetece-me ser o Super-Homem. Apanhar os bandidos. Ter poderes. Voar mais alto. Pegar em aviões. Salvar o Mundo. Mas também quero ser o mais reles dos super-heróis, aquele que não tem um uniforme feito à medida, o que não salva o Mundo, o que não tem poderes. Mas que tenta ter. E o que é incrível é que isto tudo me apetece no mesmo dia. Hoje apetece-me sentir-me mais vivo do que nunca. Se pudesse, acho que tentava atravessar uma ponte de 250 metros de altura e de 50 centímetros de largura. Ou ficar preso num elevador mais do que 5 minutos. Isso fazer-me-ia sentir vivo. A sério. Mas ao mesmo tempo não me apetecia muito. Acho que prefiro escrever num blog qualquer. Pode ser no meu… É igual. Hoje, estupidamente, apetece-me subir ao topo da Eiffel. Só para pensar na infinidade de coisas que não conheço. E já agora, dizer lá do topo algo bem alto. Mesmo que ninguém perceba. Mas porque é que isto tudo me apetece num só dia? Deve ser mania minha. Que mania de viver tudo no mesmo dia.
Estou estourado. De cansaço. De sono.
Alguém é capaz de fazer entender a este apressado de que não há pressa rigorosamente nenhuma?
Luís Peixoto, the Scottish


