Sunday, October 29, 2006

A malta

Confesso. Estou farto de jantares em restaurantes onde se comem lombinhos “aux champignons” todos os dias e se bebe “vinho da casa”. A sério. Pelo menos durante um mês, não quero ouvir falar nesses jantares. Nos ultimos 15 dias foram três e já acho que foram muitos. Entre aniversários e jantares académicos… Não é que não goste, pelo contrário. Mas enche. Não porque comemos sempre o mesmo prato ou porque bebemos sempre o mesmo vinho duvidoso, mas sim porque perdemos todo e qualquer filtro social durante esse tipo de convívio. O álcool ajuda (em cerca de 95 %), mas não é a única desculpa. Não sei bem porquê, mas nesse tipo de jantares, qualquer ideia que surja, é concretizada. A sério.

- Eiiii, não és gajo de beber a garrafa de golada!!!

- Não quê??????

E tau. Garrafa de golada. Seguida de uma sempre agradável visita ao W.C… Olá Gregório. Isto só é comparável aos jogos de futebol quando somos crianças. Aqueles que duram a tarde toda e acabam 50-49. E somos sempre “gamados”. Estes jantares são como esses jogos. Alguém se lembra e diz:

- Não és homem de chutar do meio campo!

- Queres ver???

E “bira milho”. Bola pró adversário. Mas sempre de cabeça levantada, porque mostramos que somos homens ao chutar do meio campo. Aqui a história é a mesma. Se alguém se lembrar de atirar um suculento lombinho para o outro lado da mesa, é de homem. Se saírmos apoiados em dois amigos, com os olhos no chão, é de homem. Se conseguirmos vomitar mais longe do que os outros, é de homem.
Além disto, há o sempre presente ritual do “e se o Lopes quer fazer parte da malta…”. E pronto. A partir deste momento, está oficialmente encerrado o jantar propriamente dito. Passa-se a partir daqui, à chamada javardice. E ai de quem não beber o copo de golada. Não é da malta… E quem no seu perfeito juízo gosta de ser excluído da “malta”? Passas a ser uma espécie de anti-praxe. Se não bebes tudo, deixas de ser homem. Passas a ser um menino. E ai de ti que rejeites uma boa copaça de vinho tinto, mesmo que detestes. Vinho tinto é de homem. Naquele momento em que ouvimos “E se o … quer fazer parte da malta”, tudo deixa de ter importância. Apenas aquilo tem toda a importância do Mundo. Porque tens que ser da malta. Consigo imaginar uma assembleia geral da ONU. Numa qualquer decisão dificil de tomar, alguém se lembra e começa: “E se o Kofi quer fazer parte da malta…”. E o Kofi tem que beber até ao fim. Porque senão não é da malta…
Mas pior do que isso são aquelas pessoas que não têm ritmo. Ainda o cântico está a meio e já têm o copo vazio. Depois há os outros, que é preciso cantar para eles pararem de beber. E por aí fora…

Mas apesar de tudo isto, todos queremos ser da “malta”. Seja lá o que isso for.
E que bem que soube aquela golada de J.B. A seco…

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Thursday, October 26, 2006

Pois claro que continuamos…

Chego a casa depois de um jantar, seguido de uma noitada daquelas como mandam as leis. Tudo isto com a gripe às costas, claro. No dia a seguir há aulas, às 11. Muito bem, lá estarei (lá estive…).

Antes de dormir ligo o MP3 do meu irmão e ponho-me a ouvir sem saber o que lá está.
E do nada sai isto:

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Jorge Palma - A Gente Vai Continuar

 

E caraças, como soube tão bem…

Nota: Que soem as trombetas, que se alegrem os povos! O Mark comentou o meu blog! Bem vindo.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Tuesday, October 24, 2006

Cinco

Já alguma vez pensaram em ter cinco de minutos de tudo? Eu já. E não fui o único. Apenas cinco minutos. De amor, de ódio, de riso, de choro, de tristeza, de alegria… Tudo isto comprimido em pouco mais do que dois pares de minutos. Parece-vos bem? A mim parece. Em cinco minutos eu poderia fazer tudo o que quero fazer neste momento. Talvez em menos… Não precisava de muito. Mas pelo menos gostava de sentir como é ter cinco minutos de tudo…

É uma coisa estúpida? É…
É uma ideia surreal? É…

Que se lixe. Disso estamos nós completos, não é? Falo por mim, claro… Não é à toa que às vezes dou comigo a imaginar se seremos personagens num jogo de Sims. Eu sei… Quase ninguém pensa nisto. É estupidez. Mas dá-me gozo imaginar isso. Porque se fossemos meros “sims”, cinco minutos chegariam para ter tudo. É ambição? Deve ser… Mas gostava mesmo de sentir o que é isso… Cinco minutos… Ali. Mais nada. Só aquilo. E a vida continuava como dantes.

Cinco minutos chegavam?

Sobravam…

P.S. - Banda sonora deste post: The Gift - Five Minutes of Everything …………………. Obrigado  ;-)

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Saturday, October 14, 2006

Ser da Tuna

Antes de começar a ler este post, recomendo que deixem todo o preconceito e estereótipo à porta deste blog. De preferência, bem longe da porta.

Posto isto, quero-vos falar do que é ser da Tuna.
Fui caloiro durante mais de um ano. Sou pré-tuno há alguns meses. Com todo o orgulho. Às vezes falam-me das tunas como quem fala de um grupo de rapazolas que à falta de estudo, junta uns copos e umas músicas. Eu pedi para o preconceito ficar à porta, pode ser? Vou-vos explicar o que é a Tuna.

Chamam-nos trovadores. Eu gosto. Mas isso é muito vago. Gostava que sentissem a dificuldade que estou a sentir ao escrever este post. Quero escrever tudo e não consigo escrever nada. Porque a tuna é mesmo assim. Não se explica. Não se define. Sente-se… É quase como saber o incómodo que é ter que vestir o traje ao contrário porque se é caloiro ou pré-tuno, mas ao mesmo tempo vesti-lo sempre como se fosse a primeira vez, com o mesmo orgulho de sempre. Eu vejo na Tuna o que não vejo numa simples turma de universidade. Eu não encontro na Tuna a inveja, o preconceito. Podemo-nos chamar de amigos? Podemos. Sei que sim. Porque em mais nenhum lado, podemos alinhar lado a lado como iguais e cantar o que nos vai na alma. Em mais lado nenhum podemos pegar numa guitarra e fazer com que todos cantem. Na Tuna, ninguém canta sozinho. Começem a cantar uma música sozinhos e gozem da sensação de orgulho de não estarem sozinhos. Traçem a capa numa noite fria de Inverno e toquem “Menina estás á janela” para uma senhora de 90 anos que está à janela. Sim, aconteceu. Em Terras de Bouro. Aconteceria em mais algum lado que não na Tuna? Sintam o vosso coração a cem à hora antes de subirem para o palco. Sintam o friozinho na barriga quando pisam pela primeira vez o palco de um festival. Olhem à volta. Vejam a Tuna em palco. Ao vosso lado. E acalmem o peito, o coração. Sintam que não estão sozinhos. Ali, somos muitos, mas somos um só. A Tuna. Percam o medo e deixem de sentir o firiozinho na barriga quando ouvirem os primeiros acordes de um bandolim ou de uma guitarra que sabem que não vai falhar. Encontrem outras Tunas, do outro lado do país, do outro lado do Mundo. Tratem-se como irmãos. Porque é o que vocês são. Criem laços com pessoas que nunca tinham visto. Emprestem instrumentos. São de todos. Emprestem uma capa se assim for necessário. Cantem bem alto o vosso amor por “Madalena”. Não tenham medo de afirmar que o vosso amor por alguém tem tanta força como tem a hera quando se enlaça na parede. Digam que hoje estão aqui. Tenham as melhores “Recordações” que conseguirem, sejam elas de noites longas ou não. Linda donzela, vem à janela que a Tuna passa… Mesmo que ela não venha à janela. Sabem o que é ouvir alguém anunciar que a Tuna vencedora é a vossa? Eu sei. Lembro-me do meu primeiro festival “a sério”. Foi no ISAVE. Ganhamos o prémio de Tuna mais Tuna e de Melhor Tuna. Sabiam que eu chorei? Não como uma madalena. Como um menino que não consegue guardar dentro do peito o orgulho de pertencer àquele grupo e como tal, tem que o deixar saír em forma de lágrima. E mesmo quando o nosso nome não consta da lista de vencedores, o orgulho é ainda maior. Porque sabemos que continuamos a ser a Tuna. Depois há os Tunos que sei que não vou esquecer. O Taveira, que por acaso é meu irmão, que sabe o que é um bandolim melhor do que ninguém. E que é meu irmão (e só por isso, já é o maior). O Marroquino, que comanda a Tuna como um verdadeiro líder. O Monhé!! Que é somente o gajo com mais piada que eu conheço e que tenho a certeza que ama a Tuna como poucos (e que sempre deu o maior apoio aos caloiros, obrigado por isso). O Melão… Que à parte de ser parecido com o António Peres Metello, transmite a maior confiança possível à Tuna. O Capone, o Testas, o Meco, o Sangue, o América… Tantos que eu não posso falar de todos… Depois há os pré-tunos, como eu. Acho que não vou falar destes. Havia tanto para dizer. E prefiro ir dizendo ao longo dos anos. Isto é a Tuna. Mais do que pessoas, mais do que uma música. É tudo isto e muito mais. Claro que gostamos de uns bons jantares, bem regados por uma boa bebida. Claro que gostamos de tocar serenatas às “meninas” (afinal não é para isso que existem as serenatas?). Claro que gostamos da boa vida. Quem não gosta? Mas somos muito mais do que isso… E podem ter a certeza que nunca iremos pousar a guitarra. Nunca iremos deixar de cantar. Porque aqui ou noutro local qualquer, a Tuna é sempre a Tuna. E iremos sempre continuar a tocar serenatas à luz da lua. Recordo com um sorriso a única serenata que tocamos a meu pedido. Foi por telefone… Gostava que tivesse sido de outra forma, mais pessoal. Mas dizem que o que conta é a intenção… Acho que tu também te lembras disso. E espero que também a recordes com um sorriso, apesar de tudo…

Há tanta coisa que fica por dizer. Estas linhas são uma gota no oceano… Sei que se tudo correr bem, no final deste ano lectivo, termino a minha licenciatura. Mas isso não quer dizer que não continue a ser da Tuna. Como me disseram um dia, “Tuno uma vez, Tuno para sempre”. E garanto, que irei continuar a ter o mesmo gosto e orgulho em ir aos ensaios, às actuações, aos festivais. Seja num Festival Internacional ou numa simples actuação em Cascos de Rolha, eu vou lá estar com o mesmo entusiasmo. E sei que vocês também.

Porque afinal de contas, isto é que é ser da Tuna.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Tuesday, October 10, 2006

Um dia como outro qualquer

Uma chuvinha daquelas lá fora, um quarto quente com luz a meio-gás. Um Jazz daquele que aquece a alma, num computador onde se desfolham recordações de todo o tipo. Só falta um Garden State no leitor de DVD. Tudo isto depois de um dia que mais pareceu uma semana.

Já agora, tragam um chocolate quente que eu fico cá para sempre…

E siga, que amanhã há mais.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Saturday, October 7, 2006

Pertinente

Já que falamos de cinema… “Wicker Park”. Em português, “O Apartamento”.

Esta é uma daquelas coisas que nos fazem acreditar que é sempre possível voltar ao início, baralhar e dar de novo…

Ainda não viram o filme? Pois, ninguém é perfeito…

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Thursday, October 5, 2006

O Filme

Este é o filme da minha vida. Sobre as coisas simples da vida. Sobre nós. E não sei dizer muito mais.
Desculpa “Braveheart”…

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 17:28:04 | Permalink | Comments (2)

Em screensaver

Acordem as 08:25. Vistam o traje académico. Calcem aqueles sapatos que foram feitos a pensar em tudo menos em conforto. Façam 5 minutos de autocarro, mais 10 a pé. Praxem todo o dia, não descansem muitos minutos seguidos, berrem com os caloiros, vão até à Avenida, caminhem sobre a lama dos jardins, almoçem em 10 minutos, continuem a praxar até ao fim do dia. Cheguem a casa. Tirem o traje. Tomem um banho. Durmam uma hora no sofá. Jantem e saiam. Sentem-se numa mesa com os amigos nos bares da UM. Não se esqueçam que estão lá mais 500 pessoas do que o normal. Tentem entrar no B.A. Esqueçam… Vão para o Insólito. Descansem um bocado. Pouco, porque já lá estão milhares de pessoas de novo. Fiquem lá um par de horas. Demorem 5 minutos a atravessar todo o bar. Mais 5 para pagar. Vejam a saída tapada por pessoas que se amontoam para entrar. Caminhem agora 10 minutos a pé até ao carro. Cheguem a casa. Metam a chave na porta da rua. Esperem pelo elevador. Metam a chave na porta de casa. Estes últimos passos são feitos em modo de piloto automático. Ou em “screensaver”, como preferirem.

Agora durmam mais do que 10 horas. E habituem-se a usar mais vezes o piloto automático. Dá jeito.

 

Luís Peixoto, the Scottish

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Sunday, October 1, 2006

Um, dois, três, quatro…

Hoje é o Dia Mundial da Música. Eu sei, é como o Natal… É quando um homem quiser. E por mim pode ser todos os dias. Apesar de hoje existirem dias para tudo, este é mais do que merecido. Quantos de nós conseguem viver sem música? Aposto que nenhum. Já todos demos por nós a pensar a quantidade de música de ouvimos. Já todos desejamos decorar matéria para um exame da mesma forma que conseguimos decorar todas as letras de todas as músicas daquele álbum… Seja aquele dos Toranja, da Norah Jones, ou do Damien Rice. Acho que os consigo cantar (mal) do inicio ao fim. É este o poder da musica. É estranho. Mas sabe bem. Alguém consegue passar um dia sem ouvir um único acorde de uma qualquer música? É como o ar que respirámos. Tirem-nos a música, que nos tiram a vida. E não tenho medo de falar por todos. Porque independentemente dos gostos de cada um, sabemos que todos precisamos da música. E lá porque toco bateria não quer dizer que perceba mais disto do que outros. É por isso que a música tem a força que tem. Não precisamos de a perceber. Só temos que a ouvir… A forma como nos entra direitinha pelo peito dentro não depende de sabermos em que compasso ela é tocada. Ou em que acordes. Já pensaram porque é que há músicas que parecem ter sido feitas para nós? Será porque somos todos iguais? Não sei… Nem vou saber. Só sei que aquele “friozinho” na barriga que sentimos quando ouvimos o primeiro acorde daquela música tão especial é algo indescritível. E também não preciso de o descrever, todos o conhecemos. A música está connosco até ao fim. Mas mesmo até ao fim. Aposto que daqui a 50 anos ainda nos lembramos daquela música que estava a tocar naquele momento. Ou daquela que marcou um ano da nossa vida. Ou mais. E isto é a música. Mais do que um conjunto de acordes que num determinado ritmo fazem uma melodia, mais do que uma pauta adornada por uma clave de sol, mais do que tudo isso. E a maior beleza de todas, é saber que se hoje ouvimos Damien Rice e olhamos lá para fora com a sensação de que nos falta algo na vida, amanhã podemos estar a ouvir Franz Ferdinand com toda a irreverência possível no meio de um qualquer local público e lembrar que afinal, não nos falta assim tanto como pensamos. Porque a música é como a vida. Um carrossel de acordes. Ora secos, ora doces. E nós só temos que entrar no carrossel quando ele passa por nós. E seja o compasso ternário ou quaternário, só temos que saber entrar no ritmo certo. O resto toca sozinho.

 

Luís Peixoto, the Scottish

Posted by Scottish at 15:57:44 | Permalink | Comments (1) »