Começo a achar que estou num Mundo diferente daquele em que penso que estava. Ou então sou estúpido. O que é uma hipótese bastante viável. E porquê? Pelo simples facto de achar que hoje em dia, há muito pouca roupa normal. Nem é só a roupa, é a atitude. Começo a ficar realmente farto das novas tendências de moda, principalmente dos dois extremos. Há o estilo “Mitra” e o estilo “Sabão Rosa”.
No primeiro, encontramos espécimes não tão raros quanto deveriam ser. Habitam geralmente nos arredores das grandes cidades e apostam num visual situado entre o rude, do campo e o arrojado, mais urbano. A nível temporal, situam-se numa época que junta o pior dos anos 80, com o pior do início de 2000. Gostam de andar em grupo. Não percebi ainda do que se alimentam. Provavelmente, de poo-poo. Existem em maioria no sexo masculino. Porém, não raras vezes, são vistos acompanhados pelos seus pares do sexo oposto, que conseguem manter a mesma atitude máscula, sejam de um genéro ou do outro. Adoram usar boné. Não um boné qualquer. Daqueles que apertam atrás. Usam geralmente o boné apertado no ultimo furo disponível, para ficar bem apertado e mais levantado atrás do que à frente. Note-se que o boné apenas pousa na cabeça. As calças são geralmente apertadas. Daí talvez se possa explicar o seu andar estranho, num estilo muito próprio do interior Texano. Utilizam bastantes utensilios metálicos, seja no peito ou nos pulsos. Adoram uma meia branca por cima da calcinha. Provavelmente não frequentaram as mesmas escolas da maioria da população. Pelo menos a nível da fonética, são no mínimo estranhos. Gostam de anasalar as palavras e apresentam um tom de voz invulgar, que resulta somente da sua dificuldade em esconder que ainda falam fininho. Não têm pêlo a nível facial. A idade não permite.
Em relação ao segundo estilo, o tal “Sabão Rosa” ou “Jogadorismo”, existem algumas diferenças em relação ao primeiro. Os membros desta espécie, podem ser encontrados em locais distintos e a horas distintas. Durante o dia, gostam de se passear pelas grandes superfícies comerciais, como o Braga Parque. Depois disto, num horário mais nocturno, optam por frequentar locais “badalados”, como o Sabão Rosa, o Face Café, entre outros. Estão bem distribuídos a nível de género. Existe um número equilibrado entre espécimes do género masculino e feminino. Daí a minha preocupação pelo facto de achar que a espécie tem condições para continuar no futuro, visto a procriação entre estes ter boas possibilidades de ser feita de forma equilibrada. Quanto ao género masculino, aposta-se em penteados vários, que vão desde o cabelo “à Quaresma” até a um estilo mais argentino, onde a parte traseira do cabelo fica substancialmente mais comprida do que o resto, estando a parte lateral muito bem aparada. Não gostam de barba. Isso é muito pouco fashion. Matam-se para ver qual deles possui a t-shirt com o maior decote de todos. Existem algumas que vão até ao umbigo. Quando usam camisas, apertam apenas os últimos 3 botões. É mais fashion… Não possuem pêlos no peito. Isso dá muito pouco estilo. Ligam pouco a futebol… Gostam mais de moda e de Bob Sinclar. As calças têm que ser o mais rasgadas possível. Mas rasgadas com estilo. No joelho. E no glúteo. Se possível, que sejam Guess ou D&G. O calçado pode variar entre uma simples sapatilha e um sapato estilo casamento. Depende da ocasião. Não bebem cerveja. Preferem um “Safari-Cola” ou um “Vodka Dióspiro”. Não se embebedam, apanham “mocas”. Com duas vodkas. No género feminino, é frequente utilizarem cabelo comprido, geralmente com um toque loiro. Gostam de maquilhagem. Brincos grandes e brilhantes é o que está a dar. Muitos colares. Às vezes utilizam bonés “Von Dutch”, escondendo um pouco a cara. Dá estilo. Adoram um bom “House”. Mesmo quando não sabem o que isso é. Também gostam de abanar o corpo ao ritmo de sons mais latinos, em que a letra da música implique necessariamente expressões sexuais, do género “Estou ficando atoladinha” ou “Vai ser na Praia da Barra…”. Adoram essas expressões. Fazem antever o resto da noite. As camisolas são geralmente às riscas horizontais. Azuis e brancas, muitas das vezes. À francês. Calças largas. Quanto mais largas, melhores. Gostam de trazer o lanche nos bolsos. Sapatilha da moda, não falta. Daquelas aos quadradinhos. À Boavista. São facilmente reconheciveis, mesmo quando não possuem estes adereços. Basta abrirem a boca para percebermos. Escola? Devem-se lembrar dessa palavra, mas não sabem de onde… Muito menos de “aulas de português”. Acham que viram isso algures no You Tube. Ou no Google. Adoram o Hi5. Lá podem mostrar toda a sua inteligência ao colocarem em “Favorite Quote” uma frase copiada de um site de citações. Alguma que diga que a sinceridade e ajudar os outros são as coisas mais bonitas do Mundo. Acham que a Faixa de Gaza é uma coisa que a Miss Mundo utiliza aos ombros quando ganha o concurso. Gostam de dizer que metem pastilhas. É fashion. Dá power. E gostam, acima de tudo, de ver o Fashion TV (não pelas mesmas razões que nós gostamos). Gostam de t-shirts que digam “Bitch” ou “Nasty”. Um dia vão perceber o que isso quer dizer. Nem que seja a ver um filme da Britney Spears.
Conclusão?
Estou cada vez mais farto destas duas espécies.
Como consequência da existência destas, preocupa-me a possibilidade de as nossas crianças do futuro não saberem o que é um bigode à Benfica…
Luís Peixoto, the Scottish